Toda comissão paga a um marketplace é margem que sai do seu caixa. Delivery próprio é o caminho para recuperar parte dela — desde que você aceite a contrapartida: no canal próprio, quem traz o cliente é você.
Este guia mostra o passo a passo, com o que costuma dar errado em cada etapa.
O que muda entre marketplace e canal próprio
| Marketplace | Canal próprio | |
|---|---|---|
| Quem traz o cliente | A plataforma | Você |
| Comissão por pedido | Sim | Não |
| Dados do cliente | Da plataforma | Seus |
| Controle do preço | Pressionado por promoção | Total |
| Custo para começar | Baixo | Baixo, mas exige divulgação |
| Recompra | Depende do algoritmo | Depende do seu relacionamento |
A leitura correta dessa tabela não é "canal próprio é melhor". É: os dois fazem trabalhos diferentes. Aprofundamos essa lógica em iFood vs cardápio próprio.
Passo 1 — Monte o cardápio digital
O cardápio é a sua loja. Três regras que mudam o resultado:
- Foto nos campeões. Não precisa fotografar tudo; fotografe os cinco itens de maior saída e os de maior margem.
- Descrição que vende. Diga o que vem no prato. "X-Bacon" vende menos que "X-Bacon: 150 g de blend, bacon crocante, queijo prato e maionese da casa".
- Complementos cadastrados. É onde o ticket cresce sem esforço — assunto de como aumentar o ticket médio com adicionais.
E o mais importante: o cardápio precisa aceitar pedido, não só exibir preço. Cardápio que é só imagem é panfleto digital.
Passo 2 — Defina zonas e taxas
Não cobre por bairro, cobre por faixa de distância. Três ou quatro zonas resolvem quase toda operação:
| Zona | Distância | Taxa exemplo |
|---|---|---|
| 1 | até 2 km | R$ 5,00 |
| 2 | 2 a 4 km | R$ 8,00 |
| 3 | 4 a 6 km | R$ 12,00 |
| 4 | acima de 6 km | Sob consulta ou não atende |
Duas decisões que valem dinheiro:
- Mostre a taxa antes do fechamento. Taxa que aparece só no fim é a causa número um de carrinho abandonado.
- Defina um limite de raio. Entregar longe demais atrasa a rota inteira e derruba a nota da entrega em toda a fila.
Passo 3 — Escolha as formas de pagamento
Comece pelo que a sua operação já sabe fazer. Pagamento na entrega — dinheiro, cartão na maquininha, Pix direto para a sua chave — é o caminho mais simples e não adiciona intermediário.
Pagamento online no cardápio adiciona uma camada a mais (gateway, taxas, conciliação) e faz sentido quando o volume justifica. Não é pré-requisito para começar: muita operação roda bem no modelo de pagamento na entrega por anos.
Passo 4 — Organize o recebimento do pedido
O erro clássico é receber pedido próprio no WhatsApp pessoal e pedido do marketplace num tablet separado. Duas filas, dois lugares para esquecer alguma coisa.
O que funciona é um painel só, com todos os pedidos na mesma lista e o mesmo fluxo de status: recebido → em produção → saiu para entrega → entregue. A cozinha olha um lugar; você fecha um relatório.
Passo 5 — Resolva a entrega
Três modelos, cada um com um limite claro:
- Entregador próprio (fixo). Melhor experiência e custo previsível. Só compensa com volume constante.
- Entregador por demanda (freelancer). Flexível, bom para picos de fim de semana. Exige alguém coordenando.
- Logística terceirizada. Escala sem contratar, mas o custo por entrega é o mais alto e você perde contato com o cliente na porta.
Comece pelo modelo que cabe no seu volume atual, não no volume que você espera ter.
Passo 6 — Traga o cliente para o canal
Aqui está o trabalho de verdade. O canal próprio não tem vitrine — você precisa construir a sua.
O que funciona:
- Cartão no pedido do marketplace com QR Code do seu cardápio e um motivo concreto: frete grátis no próximo, adicional de brinde, desconto na segunda compra.
- QR Code na mesa e no balcão, para quem já é cliente presencial pedir em casa.
- Instagram com link do cardápio na bio, e story de bastidor mostrando o preparo.
- Programa de fidelidade simples: a cada X pedidos, um item. Dá motivo para voltar ao seu canal, não a qualquer canal.
O que não funciona: pedir para o cliente "salvar o número" sem oferecer nada, e mandar mensagem em massa para lista comprada.
Passo 7 — Faça o cliente voltar
Aquisição é cara; recompra é barata. Duas rotinas simples sustentam o canal:
- Cliente que sumiu. Quem pedia toda semana e some há 30 dias merece uma mensagem com uma oferta específica.
- Aniversário do cliente. Cadastro simples, retorno alto.
Ambas dependem de você ter os dados — o que só acontece no canal próprio. É a razão econômica de existir do canal direto: no marketplace, esse cliente é da plataforma.
Quanto isso devolve para o seu caixa
Uma pizzaria com 600 pedidos/mês, ticket médio de R$ 62, pagando comissão de marketplace:
| Cenário | Pedidos no marketplace | Comissão paga/mês |
|---|---|---|
| Hoje (90% marketplace) | 540 | Sobre R$ 33.480 de venda |
| Meta (50/50) | 300 | Sobre R$ 18.600 de venda |
Migrar 240 pedidos por mês para o canal próprio devolve a comissão de R$ 14.880 de faturamento — todo mês, para sempre. Esse é o número que paga o esforço dos sete passos.
Como o Brasahub entra nisso
- Cardápio digital com QR Code e delivery por zonas estão no plano Essencial (R$ 69,90/mês).
- Integração com o iFood entra no Profissional (R$ 139,90/mês), com os pedidos do marketplace caindo no mesmo painel dos pedidos próprios — resolvendo o problema das duas filas do passo 4.
- CRM e fidelidade também no Profissional, para o passo 7.
- Mensalidade fixa, sem comissão por pedido: cada pedido migrado para o canal próprio fica 100% com você.
Para ver aplicado ao seu nicho, veja sistema para pizzaria, sistema para hamburgueria ou sistema para marmitaria. O teste é de 8 dias e não pede cartão.