Todo dono de restaurante já pesquisou "sistema para restaurante grátis". A pergunta é legítima: no começo, cada real conta. A resposta honesta é que o grátis existe — e que o preço aparece em outro lugar da conta.
Os três tipos de "grátis"
1. Plano gratuito limitado
É a versão reduzida de um produto pago. Costuma limitar produtos no cardápio, pedidos por mês, usuários ou lojas.
Quando funciona: primeiro mês de operação, cardápio enxuto, um operador só. Quando quebra: no dia em que você cadastra o produto de número 51 ou contrata o segundo funcionário.
2. Software financiado por taxa
O sistema é gratuito e se paga cobrando um percentual da venda ou um valor por pedido. É o modelo mais comum em soluções ligadas a meio de pagamento e a marketplace.
Quando funciona: volume baixo e previsível. Quando quebra: quando você cresce. Uma taxa de 1,5% sobre R$ 40 mil de faturamento é R$ 600 por mês — quatro vezes o valor de um plano fixo intermediário.
Se o custo do software sobe junto com o seu faturamento, ele não é grátis: é sócio.
3. Planilha feita por você
Grátis de verdade em dinheiro, caro em tempo. Funciona enquanto o volume é pequeno e você é a única pessoa que digita.
O ponto de ruptura é sempre o mesmo: a planilha depende de alguém lembrar de atualizá-la. No sábado cheio, ninguém lembra. E é exatamente o dado do sábado cheio que decide a compra da semana seguinte. Detalhamos essa armadilha em como controlar estoque sem planilha.
O que você paga sem ver
| Custo escondido | Como aparece | Quanto costuma pesar |
|---|---|---|
| Taxa por pedido | Centavos por transação | R$ 200+/mês com 800 pedidos |
| Percentual da venda | % sobre o faturamento | R$ 600/mês com R$ 40 mil de venda |
| Limite de produtos | Trava no cadastro | Força upgrade em 2–3 meses |
| Usuário único | Todos usam o mesmo login | Você perde a rastreabilidade de quem fez o quê |
| Sem suporte | Só base de ajuda | Uma noite de sábado parado |
| Dados presos | Sem exportação | O custo de recadastrar tudo na troca |
| Sem relatório de margem | Só faturamento | Produto vendido no prejuízo por meses |
O último é o mais caro e o menos percebido. Sem margem por item, dá para faturar bem o ano inteiro vendendo dois produtos no prejuízo. O cálculo está em como precificar pratos com a margem certa.
Como comparar de forma justa
Não compare "R$ 0" com "R$ 139,90". Compare 12 meses de cada um, com tudo somado.
Exemplo de uma lanchonete com 700 pedidos/mês e R$ 32 mil de faturamento mensal:
| Item | Sistema "grátis" com taxa | Plano fixo |
|---|---|---|
| Mensalidade | R$ 0 | R$ 139,90 |
| Taxa (1,5% do faturamento) | R$ 480,00 | R$ 0 |
| Custo mensal | R$ 480,00 | R$ 139,90 |
| Custo em 12 meses | R$ 5.760,00 | R$ 1.678,80 |
E note o detalhe: se o faturamento dobrar, a primeira coluna dobra e a segunda não muda.
Agora um caso em que o grátis ganha — food truck que fatura R$ 6 mil/mês com 150 pedidos:
| Item | Sistema "grátis" com taxa | Plano fixo |
|---|---|---|
| Taxa (1,5%) | R$ 90,00 | R$ 0 |
| Mensalidade | R$ 0 | R$ 69,90 |
| Custo mensal | R$ 90,00 | R$ 69,90 |
Aqui a diferença é pequena, e a decisão passa a ser sobre o que o plano fixo entrega além do registro da venda: estoque, relatório de margem, cardápio digital e suporte.
O sinal de que passou da hora de sair do grátis
Marque quantos desses são verdade hoje:
- Seu cardápio passou de 100 itens.
- Mais de uma pessoa opera o sistema.
- Você começou a vender por delivery.
- A taxa do mês passado passou de R$ 100.
- Você não consegue dizer qual produto deu mais margem.
- Você já perdeu venda por falta de item que não viu acabar.
- O fechamento do caixa raramente bate.
Três ou mais marcados: o grátis já está custando mais caro que um plano fixo, só que em outra moeda — retrabalho, ruptura e decisão no escuro.
O caminho do meio: teste grátis, não plano grátis
Existe uma terceira via que costuma ser ignorada: usar o período de teste de um sistema completo, em vez de adotar um plano gratuito limitado.
A diferença é grande. No teste você experimenta o produto inteiro — com estoque, relatórios e suporte — e decide com informação. No plano gratuito você experimenta uma versão amputada e conclui, errado, que "sistema não resolve".
No Brasahub o teste dura 8 dias, sem cartão de crédito, com todos os módulos liberados. Depois dele, o plano de entrada custa R$ 69,90/mês, com mensalidade fixa e sem comissão por pedido — o que significa que crescer não aumenta o custo do software.
Antes de decidir, vale rodar o checklist de escolha de sistema com os seus próprios dados e comparar a conta dos 12 meses.