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Finanças5 min de leitura

Como calcular o CMV do restaurante: fórmula, exemplo e meta por segmento

CMV é quanto do seu faturamento vira ingrediente. Veja a fórmula, um exemplo completo com números, a meta de CMV por tipo de operação e as cinco causas mais comuns de CMV alto.

Por Equipe Brasahub · 22 de agosto de 2026

Se você só puder acompanhar um indicador financeiro no seu restaurante, acompanhe o CMV. Ele responde a pergunta que decide o mês: de cada R$ 100 que entraram, quantos foram embora em ingrediente?

O que é CMV

CMV é a sigla de Custo da Mercadoria Vendida. É o valor de tudo o que saiu do estoque — carne, pão, bebida, embalagem, descartável — para gerar o faturamento de um período.

Em food service, o CMV costuma ser o maior custo variável da operação, à frente até da folha. Por isso um ponto percentual a mais ou a menos muda o resultado do mês inteiro.

A fórmula

CMV = estoque inicial + compras do período − estoque final

E o CMV percentual, que é o número que você acompanha:

CMV % = (CMV ÷ faturamento do período) × 100

Duas regras para o cálculo não mentir:

  1. Conte o estoque na mesma data que fecha o faturamento. Contagem em dias diferentes joga o resultado fora.
  2. Inclua tudo o que vai junto com o prato: embalagem de delivery, guardanapo, descartável, sachê. Eles saem do estoque e ninguém lembra de contar.

Exemplo completo

Uma hamburgueria fechando o mês de agosto:

ItemValor
Estoque no dia 1ºR$ 3.000,00
Compras no mêsR$ 12.000,00
Estoque no dia 31R$ 2.500,00
Faturamento do mêsR$ 40.000,00

CMV em reais: 3.000 + 12.000 − 2.500 = R$ 12.500,00 CMV percentual: 12.500 ÷ 40.000 × 100 = 31,25%

Para uma hamburgueria, 31,25% está dentro da faixa saudável. Se esse mesmo número aparecesse num bar com forte venda de bebida, seria sinal de alerta.

A meta de CMV por segmento

SegmentoFaixa saudávelPor que muda
Bar / distribuidora25% – 30%Bebida tem custo previsível e margem alta
Pizzaria25% – 32%Massa e queijo têm rendimento controlável
Hamburgueria30% – 35%Proteína pesa muito na ficha
Restaurante à la carte30% – 35%Cardápio variado, mais perda de item de baixa saída
Self-service por quilo35% – 40%Sobra de buffet é perda estrutural
Espetinho / food truck28% – 35%Cardápio curto ajuda, proteína atrapalha

Essas faixas são referência de mercado, não lei. O que importa mais que o número absoluto é a sua tendência: um CMV de 34% estável é melhor que um que oscila entre 28% e 39% sem explicação.

As 5 causas mais comuns de CMV alto

1. Porcionamento sem padrão

O mesmo prato sai com 140 g numa terça e 190 g num sábado. Sem balança e sem ficha técnica, isso é invisível — e são 35% de proteína a mais em cada prato do fim de semana.

Correção: ficha técnica escrita, balança na praça e treinamento. É a medida de maior retorno e menor custo que existe.

2. Perda e quebra

Item vencido, produto queimado, garrafa quebrada, pedido refeito. Sem registro, cada um desses vira "sumiço" no fechamento.

Correção: registrar a perda no momento em que acontece, com motivo. O total de perdas do mês costuma ser a maior surpresa da primeira medição.

3. Preço de compra desatualizado

A ficha técnica foi feita com carne a R$ 32/kg. Hoje está R$ 41. O prato continua com o mesmo preço de venda e você não percebeu porque o faturamento não caiu — só a margem.

Correção: revisar os cinco insumos de maior peso a cada trimestre e recalcular o preço de venda. O passo a passo está em como precificar pratos com a margem certa.

4. Cortesia e consumo interno não registrados

A refeição da equipe, o chope do amigo, o brinde para o cliente insatisfeito. Tudo isso sai do estoque e não entra no faturamento — então joga o CMV para cima sem que exista problema de porcionamento.

Correção: lançar consumo interno e cortesia como saída registrada, com categoria própria. O CMV volta a medir o que deveria medir.

5. Furto

É a última hipótese a considerar, nunca a primeira. Só investigue depois de fechar as quatro anteriores — na maioria dos casos, o "furto" era porcionamento e perda não registrada.

CMV teórico x CMV real: onde mora a perda

Com ficha técnica cadastrada, você consegue dois números:

  • CMV teórico: quanto deveria ter saído do estoque, somando a receita de cada prato vendido no mês.
  • CMV real: quanto saiu de fato, pela contagem.

A diferença entre os dois é a sua perda, em reais. Se o teórico deu R$ 11.200 e o real deu R$ 12.500, você perdeu R$ 1.300 no mês — e agora tem um número para perseguir, não uma sensação.

A pergunta muda de "por que sobrou pouco?" para "onde foram estes R$ 1.300?". A segunda tem resposta.

Como acompanhar sem virar trabalho de fim de mês

Calcular CMV à mão exige contagem completa de estoque, planilha e disciplina. Funciona, mas costuma acontecer uma vez — e depois vira "faço mês que vem".

Com o estoque ligado à venda, a conta anda sozinha: o sistema baixa os ingredientes conforme a ficha técnica a cada pedido e mostra o CMV teórico por prato em tempo real. A contagem física continua necessária uma vez por mês, mas só para conferir — não para descobrir.

No Brasahub, ficha técnica com CMV e alerta de ruptura fazem parte do plano Profissional, junto com o Copiloto de Lucro, que aponta margem e itens em risco. O plano Essencial já traz estoque com alertas, para quem está começando a organizar.

Se você ainda controla estoque em caderno ou planilha, comece por como controlar estoque sem planilha — sem estoque confiável, o CMV é chute com casa decimal.

Perguntas frequentes

O que é CMV em restaurante?
CMV significa Custo da Mercadoria Vendida. É o valor dos ingredientes e bebidas que saíram do estoque para gerar o faturamento de um período. Em food service, costuma ser o maior custo variável da operação, à frente da folha de pagamento.
Qual a fórmula do CMV?
CMV = estoque inicial + compras do período − estoque final. Para achar o CMV percentual, divida esse resultado pelo faturamento do mesmo período e multiplique por 100. Exemplo: (R$ 3.000 + R$ 12.000 − R$ 2.500) ÷ R$ 40.000 = 31,25%.
Qual é um CMV bom para restaurante?
Depende do segmento. Bar com peso em bebida costuma operar entre 25% e 30%. Hamburgueria e restaurante à la carte, entre 30% e 35%. Self-service por quilo, entre 35% e 40%. Acima da faixa do seu segmento, o problema quase sempre é porcionamento, perda ou preço de venda defasado.
Com que frequência devo calcular o CMV?
No mínimo uma vez por mês, sempre com contagem de estoque na mesma data. Operações com ficha técnica cadastrada conseguem acompanhar o CMV teórico por prato diariamente e comparar com o real no fim do mês — a diferença entre os dois é exatamente a sua perda.
Qual a diferença entre CMV teórico e CMV real?
O teórico é quanto deveria ter sido gasto, segundo a ficha técnica de cada prato vendido. O real é quanto saiu do estoque de fato. A diferença entre eles mede desperdício, porcionamento fora do padrão, cortesia não registrada e furto.

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